Cartilha da Facisa orienta cuidados com a pele no uso de EPI’s

Linha de frente no combate à pandemia causada pelo novo coronavírus, os profissionais de saúde lutam diariamente para salvar vidas nos hospitais Brasil afora. Além da rotina exaustiva e, em alguns casos, da falta de estrutura, outro problema tem afetado muitos desses trabalhadores: lesões de pele por conta do uso prolongado dos equipamentos de proteção individual (EPI).

Estudos realizados na China, primeiro epicentro da pandemia, apontam uma alta incidência dessas lesões, variando de 80% a 97% o índice de profissionais que apresentaram alterações cutâneas relacionadas ao uso dos EPI’s. Segundo a enfermeira do Laboratório de Semiologia e Semiotécnica de Enfermagem da Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi (Facisa/UFRN), Jéssica Isabelle dos Santos Dutra, isso acontece por uma soma de fatores.

“Além de promover pressão sob a pele, pois precisam ser bem vedados para proteger com eficiência, também formam um ambiente hermético. Devido à intensidade de atividades que os profissionais realizam durante a assistência, a fricção entre o EPI e a pele, assim como a sudorese, aumenta, mas a evaporação do suor fica reduzida. Com a junção desses aspectos ao tempo prolongado de uso, o risco de lesões na pele é muito alto”, explica Jéssica.

Para oferecer prevenção e orientações aos profissionais que têm atuado no combate ao coronavírus, a Facisa publicou uma cartilha com medidas de proteção e tratamento para essas lesões. Intitulada Lesões de pele relacionadas ao uso de dispositivos médicos no enfrentamento ao covid-19, a cartilha foi elaborada por Jéssica Isabelle dos Santos Dutra e Victor Medeiros de Araújo Xavier, enfermeiro da Clínica Escola de Enfermagem da Facisa.

Com 12 páginas, o material classifica as lesões mais comuns, sugere maneiras de preveni-las, indica os materiais adequados para curativos e mostra como deve ser feito o tratamento. A cartilha utiliza como referências as recomendações do Ministério da Saúde, bem como estudos recentes sobre o tema. De acordo com Jéssica, os relatos de colegas e da literatura sobre o surgimento de dor e de lesões na pele devido o uso dos equipamentos de proteção foi a origem da cartilha.

“Nunca foi tão necessário que essa quantidade de pessoas utilizasse tais equipamentos, por isso surgiu a curiosidade de pesquisar o tema. Ao encontrar essas informações na literatura, consideramos muito importante compartilhar com todos os profissionais, que na maioria das vezes não terão a oportunidade de se dedicar a estudar isso tendo tantas outras capacitações as quais precisam se dedicar para uma melhor assistência aos pacientes”, conta a enfermeira.

A cartilha Lesões de pele relacionadas ao uso de dispositivos médicos no enfrentamento ao covid-19 pode ser consultada aqui.

Fonte: Agecom/UFRN;