Por Bruno Cássio – Assessoria de Comunicação da Funpec (Ascom/Funpec)
Uma cooperação internacional tem encurtado a distância geográfica de cerca de 7.500 quilômetros entre Natal, capital do Rio Grande do Norte, e Glasgow, na Escócia. Um projeto, apoiado pela Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec), coordenado globalmente pela Universidade de Glasgow e que reúne a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Fiocruz e a PUC do Paraná, está aproximando pesquisadores estrangeiros e brasileiros para discutir os impactos das mudanças climáticas na saúde das populações de três cidades de regiões diferentes do Brasil.
O projeto PACHA (Participatory Analytics for Climate-Health Adaptation), cuja tradução em português é Análise Participativa para Adaptação em Clima e Saúde, vai atuar na capital potiguar, em Curitiba/PR e em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro/RJ. Em Natal, a iniciativa é coordenada pelo professor Járvis Campos, do Programa de Pós-Graduação em Demografia (PGDem/UFRN). “Neste momento, estamos na etapa de implementação do projeto, com vários diálogos na etapa de planejamento da pesquisa e contando com a parceria da Funpec na condução desses trâmites burocráticos da cooperação internacional”, disse o professor.
Representando a universidade do Reino Unido, o professor brasileiro João Porto está em visita ao Brasil. Ele é o pesquisador principal do projeto. Além de coordenador do PACHA, Porto dirige o Urban Big Data Centre (UBDC), um centro de excelência e líder mundial em pesquisa, inovação e capacitação avançada em Análise Urbana e Inteligência Artificial. “É uma visita importante pois, além de ser estratégica para a aproximação entre a Universidade de Glasgow e a UFRN, também reforça a colaboração da Funpec na tramitação do projeto e no andamento da pesquisa”, destacou Campos após conversar com parte da equipe da Fundação e apresentar o professor João Porto.

Investigar os impactos e consequências da crise climática, como ondas de calor, enchentes, doenças infecciosas e respiratórias, e efeitos na saúde mental, sobre a saúde e o bem-estar de populações urbanas vulneráveis nessas cidades do Nordeste, do Sudeste e do Sul está entre os principais objetivos do PACHA, que conta com um financiamento de mais de R$ 14 milhões provenientes da fundação britânica Wellcome Trust, sendo R$ 2,4 milhões destinados especificamente às ações no Rio Grande do Norte.
Como metodologia, a ação usa os chamados Participatory Urban Living Labs (PULLs), ou Laboratórios Participativos de Vida Urbana: ambientes de teste no mundo real onde cidadãos, governos locais, empresas e pesquisadores criam em conjunto e avaliam soluções para os desafios das cidades. Ao final dos estudos, a intenção é unir dados de clima e saúde para mapear vulnerabilidades sociais e ambientais, transformando evidências científicas em políticas públicas eficazes de adaptação urbana e sanitária.
Para Crystianne Miranda, diretora de Projetos da Funpec, “participar de uma ação global como essa reforça que o trabalho desenvolvido por nossa Fundação tem atraído a atenção de parceiros interessados em firmar cooperações internacionais e contar com o apoio da Funpec na gestão dessas iniciativas com perspectiva de grande impacto social”, destaca.