Por Bruno Cássio – Assessoria de Comunicação da Funpec (Ascom/Funpec)
Na Amazônia brasileira, entre os estados do Pará e do Amapá, nas proximidades do arquipélago do Marajó, desenvolve-se o projeto “Ecologia de foraminíferos bentônicos do manguezal, plataforma, talude e sopé continental da Bacia Foz do Amazonas”, conhecido como “Foz Viva”. A iniciativa conta com a gestão da Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec) e reúne pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras (Cenpes), do Museu Paraense Emílio Goeldi (Mpeg) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O objetivo é investigar a biodiversidade, a ecologia e as condições ambientais da região por meio do estudo de foraminíferos bentônicos. Esses organismos são microfósseis unicelulares essenciais para a oceanografia, a ecologia e a reconstituição do clima e do nível do mar (paleoecologia). “Ao longo de um gradiente ambiental excepcional, que vai do manguezal e da zona costeira até a plataforma continental, o talude e o sopé da Bacia da Foz do Amazonas, o projeto busca compreender a relação entre os organismos e o ambiente, identificando padrões de distribuição, diversidade e associação com diferentes condições ambientais”, esclarece a professora doutora e pesquisadora da UFRN, Patrícia Eichler, uma das coordenadoras da pesquisa.
Apesar de invisíveis a olho nu, os foraminíferos desempenham um papel central na pesquisa científica ao atuar como bioindicadores ambientais. Por serem altamente sensíveis às variações do ecossistema, esses organismos microscópicos fornecem dados vitais para mapear condições ambientais, decifrar processos sedimentares e monitorar transformações ecológicas ao longo do tempo. “Utilizamos organismos microscópicos para ajudar a enxergar processos ambientais que ocorrem em uma escala muito maior”, destaca a coordenadora.
A professora ressalta ainda a relevância da atuação da Funpec para viabilizar um projeto de alta complexidade logística e científica. “Nossa pesquisa envolve aquisição de equipamentos e materiais, contratação de serviços especializados, bolsas, logística de campo, atividades laboratoriais e diversas outras demandas; a Funpec oferece a estrutura necessária para gerir esses recursos e viabilizar as atividades dentro das exigências institucionais e legais”, pontua a Dra. Eichler.

Sobre a iniciativa
Com vigência de dezembro de 2025 a 2029, o projeto de pesquisa “Foz Viva” adota uma abordagem integrada para mapear a Bacia da Foz do Amazonas ao longo do gradiente continente-oceano, com o propósito de compreender a conexão ecológica da chamada Amazônia Marinha. Além de gerar conhecimento estratégico indispensável para a conservação dos ecossistemas costeiros e oceânicos, a investigação de 48 meses atuará diretamente na capacitação técnica e acadêmica de profissionais de nível superior.
Também integram o time de pesquisadoras, as professoras doutoras Helenice Vital (coordenadora-geral); Evelyn Rocha; Ana Paula Linhares; Cláudia Vilella e Patrícia Kfouri, que desenvolvem estudos dentro do Laboratório de Geodinâmica e Geofísica Marinha (GGEMMA) no Departamento de Geologia da UFRN.
