Por Bruno Cássio – Assessoria de Comunicação da Funpec (Ascom/Funpec)
Aos 14 anos, Alessya Karol vive a concretização de um sonho: integrar a Orquestra Aldo Parisot em Caicó, na região do Seridó potiguar. Desde 2023, ela faz parte da iniciativa apoiada pela Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec). “Abriu oportunidades de conhecer pessoas novas, ter novos amigos, conhecer lugares e professores; ganhei novos conhecimentos e me apaixono cada dia mais pelo meu violoncelo”, disse ela, ao falar sobre o impacto da música em sua rotina.

A professora e maestra Marina Barnabé, que dirige a orquestra caicoense, conta que se surpreende constantemente com a dedicação e a perspectiva de futuro das alunas. “As meninas hoje, com pelo menos três anos de imersão musical, têm consciência de que podem estudar na UFRN em Caicó ou em Natal, e algumas já desejam estudar fora do país; é uma descoberta que, se viesse em uma idade mais avançada, poderia não ser tão alcançável como acredito que seja hoje”, destaca, emocionada. Além de Caicó, o projeto atende outra cidade seridoense: Currais Novos.
Na “Terra do Minério”, talentos estão sendo lapidados para a vivência musical. Isadora Guedes Bezerra, de 15 anos, é um desses exemplos. “Comecei em 2025 e este projeto não foi só sobre música; fez-me crescer como pessoa; aprendi a nunca desistir, mesmo quando algo parecia impossível”, declarou, para orgulho da professora e maestra Edivânia Almeida, coordenadora da orquestra currais-novense. “Percebo diariamente que o impacto vai muito além do ensino do instrumento; sou musicista, mulher, vinda do interior do estado e também fui formada em um projeto social; muitas das experiências que essas meninas vivem hoje, eu também vivi”, afirma Almeida.

Atualmente, cerca de 60 meninas, com idades entre 10 e 16 anos, integram o Projeto Aldo Parisot. Além da Funpec, a iniciativa conta com parcerias da Escola de Música da UFRN, da Pró-Reitoria de Extensão (Proex/UFRN), do Instituto Brazilian Shift, do CERES/UFRN e da FELCS/UFRN. “O projeto atua com alunas de escolas públicas no ensino de instrumentos de cordas: violino, viola e violoncelo; o Seridó tem tradição em bandas de música, mas nunca teve uma orquestra de cordas, sobretudo feminina; essa ação deu a essas jovens a possibilidade de ampliarem seus horizontes por meio da arte”, declarou o coordenador do projeto e vice-diretor da Escola de Música, Fábio Presgrave.
De acordo com o diretor-presidente da Funpec, Aldo Dantas, o apoio é fundamental para gerar transformação nessa região do Rio Grande do Norte. “Apoiar ações que integrem cultura, educação e inclusão social faz parte da missão da Fundação; a cada apresentação, ficamos felizes com os resultados alcançados e com a evolução musical dessas meninas”, enfatizou.
Sobre Aldo Parisot
Nascido em Natal, o potiguar Aldo Parisot (1918–2018) foi um dos maiores violoncelistas e pedagogos do século XX, unindo virtuosismo técnico e excelência acadêmica. Após estrear profissionalmente aos 12 anos e atuar na Orquestra Sinfônica Brasileira, mudou-se em 1946 para os Estados Unidos, onde consolidou sua carreira internacional como solista e colaborador de Heitor Villa-Lobos. Seu legado mais marcante foi na docência: lecionou na Juilliard School e dedicou 60 anos ao ensino na Universidade de Yale, tornando-se o docente mais longevo da instituição e formando gerações de músicos de elite até o seu falecimento, aos 100 anos.